02/10/08

ECONOMIA CRIATIVA: A ECONOMIA DO FUTURO


O conceito de economia criativa varia de país para país. É um conceito amplo e sempre sujeito a acaloradas discussões. Mas há pontos de vistas convergentes, do qual todos concordam, como o de que a economia criativa é baseada na capacidade intelectual e no conhecimento individual.
Segundo relatório do I Fórum Internacional das Indústrias Criativas, realizado recentemente, “indústria criativa é aquela que tem sua origem na criatividade, no talento e nas habilidades pessoais” das pessoas, com “potencial de criar empregos através da geração e exploração da capacidade intelectual”. Ela diz respeito à indústria relacionada ao artesanato, à TV, cinema, teatro, literatura, artes plásticas, moda, design, mídias eletrônicas (inclusive internet) e entretenimento. Sua diferença em relação aos demais setores da economia está no fato de que trabalha apenas com mão de obra intelectual.
Em países como a Grã-Bretanha, a indústria criativa é responsável por cerca de 8% do PIB. Nos Estados Unidos, esse número é, talvez, maior ainda. Por possuir uma indústria cultural gigantesca, os Estados Unidos são um dos países com mais gente empregada em ramos que envolvem criatividade. De parques temáticos ao cinema, o potencial da indústria criativa norte-americano é de franca expansão. Fenômeno semelhante ocorre nos países asiáticos, sobretudo Golfo Pérsico, Índia, China e Japão. Só para se ter uma idéias, emirados como o de Dubai empregam centenas de arquitestos e urbanistas. A Índia é uma das maiores produtoras de software do mundo. Quanto a China, ela está começando a despertar a atenção pela qualidade de seu design. Finalmente, o Japão é responsável por uma das indústria culturais mais dinâmicas de que se tem notícia. O país é um dos maiores produtores de histórias em quadrinhos (os conhecidos “mangás”) e desenhos animados para TV (os “animês”), além de filmes para o cinema. Só em 2007 foram lançados no mercado cerca de 400 filmes japoneses.
A indústria criativa é responsável por 10% do Produto Interno Bruto Mundial. A estimativa é de que os produtos e serviços ligados às atividades criativas cresçam por volta de 8,7% ao ano. Ela envolve o patrimônio material e imaterial (artesanato, festas populares etc), as artes (dança, circo e ópera, por exemplo), a mídia (TV, radio, cinema e editoras) e a criatividade aplicada (design, arquitetura, moda, a publicidade e por aí vai).
Estudos indicam que 3,5% das profissões no Brasil estejam relacionadas à indústria criativa. A maior parte dos profissionais possui mais de 10 anos de estudos e tem salário acima da média nacional. Em São Paulo, a média salarial é 114% maior do que no restante do país.
A cidade de São Paulo é a que mais emprega profissionais das áreas criativas. Eventos como a São Paulo Fashion Week, Bienal de Arte de São Paulo, Bienal do Livro, Bienal de Arquitetura, Casa Cor e Campus Party (ligado à tecnologia) são responsáveis por milhares de ocupações.
Alguns especialistas são unânimes na idéia de que a indústria criativa é uma alternativa para as pequenas e médias empresas se destacarem no mercado, ainda mais em época de intenso comércio global. Da confecção de fundo de quintal à galeria de arte, da gráfica de garagem à firma de assessoria de imprensa, é grande à lista de pequenos e médios empreendimentos que podem ganhar dinheiro com o capital intelectual e a criatividade. Mas nenhum setor da economia pode crescer sem incentivos.
O incentivo à economia criativa deve envolver governo, entidades civis, setores privados e população. Todos, sem exceção precisam criar mecanismos para que essa indústria continue crescendo, gerando emprego e renda. Pois não se trata de incentivar um ramo de futuro duvidoso, mas de futuro assegurado e (por que não?) exuberante.

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