AMADORES QUE GOSTAM DE OPINAR

Você que trabalha com publicidade ou comunicação visual já deve ter ouvido histórias parecidas.
Após dias (ou semanas!), a agência finalmente entrega o trabalho para a aprovação do cliente. Detalhe: é o “trabalho perfeito”, o melhor dos últimos tempos. A criação nunca fez nada igual! A empolgação, no entanto, não demora a vir abaixo. O cliente faz cara feia e pede modificações em metade do trabalho. Frustração geral! Os profissionais envolvidos na campanha custam a acreditar que aquela “sacada de gênio” tenha sido reprovada.
O fato é que isso é mais frequente do que se imagina. Jornalistas, profissionais de marketing, publicitários e designers sofrem com esse pesadelo. O “trabalho perfeito” da agência é, muitas vezes, uma droga para o cliente. Mesmo os clientes que o elogiam pedem alterações descabíveis, que mudam quase toda a proposta visual e de comunicação do trabalho.
Alguns profissionais tem curiosidade de saber o porquê disso. A maioria, no entanto, conhece bem a resposta. As pessoas gostam de dar opinião naquilo que não entendem! Pior, pedem coisas “impossíveis” só para mostrar quem manda no pedaço. O ego fala mais alto! Mas há outros fatores: conservadorismo, medo de errar e, principalmente, falta de conhecimento.
Ninguém diz a um mecânico de automóveis o que ele deve fazer. Barulhos estranhos no motor podem ter diversas causas! Como especialista, cabe ao mecânico analisar e dar o veredicto sobre o problema. O mesmo ocorre em relação a um exame médico. Quem dá o diagnóstico é o profissional de saúde. Mas, em se tratando de publicações empresariais, eventos e campanhas publicitárias, todos metem o nariz. Os designers gráficos (só para citar uma categoria) querem subir pelas paredes! Um trabalho que exigiu horas de Photoshop e Indesign pode virar lixo por um simples capricho do empresário autoritário e conservador, por teimosia do diretor-geral ou por um pequeno problema de visão do chefe de marketing (eu sei de um caso de um diretor daltônico que transformou um folder de cores harmoniosas num trabalho aberrante).
Não digo que seja errado opinar. Muito pelo contrário. Errôneo é ignorar a opinião de especialistas!! Experts sabem o que fazem. Se um deles escolheu um determinado lay-out é por que deve ter seus motivos. Especialistas em programas como Photoshop, Indesign, Quarkxpress normalmente entendem de cores, identidade visual, papéis, processos gráficos etc.
Então, como evitar que diretores “caretas”, inseguros e metidos a sabichões estraguem um trabalho? Como fazer com que eles não levem um grupo de profissionais ao suícidio coletivo?
As notícias não são nada boas. Infelizmente, coisas desse tipo continuarão acontecendo. Agências de publicidade, assessoria de imprensa e de design gráfico devem estar preparadas para essa, digamos, “triste realidade” . Sempre foi e sempre será assim. Mas há um conselho que ninguém devia desprezar: aconselhar essas pessoas a buscar a opinião de terceiros e (principalmente!) a se informarem. Elas perceberão que um padrão de vermelho num cartaz, um texto curto e enxuto num anúncio e uma foto bem destacada numa publicação tem suas razões.
Outro conselho que não podia passar batido: aprenda a explicar o porquê do trabalho ter sido feito de determinada maneira. Use recursos extras e vá além da mera retórica. De resto não há nada a fazer. Conformar-se, talvez. Poucas coisas são tão incontroláveis quanto um ego inflado.

